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Quem um dia já morou no interior sabe das estórias e da importância das rádios na vida das comunidades locais.
Os sitiantes moram com um certo isolamento um do outro, pelas distâncias, pelas estradas ruins ou até mesmo pelas dificuldades de transportes. Hoje em dia isso já melhorou bastante, pois sempre há um vizinho que possui um carro ou até mesmo uma motocicleta, mas até alguns anos atrás o transporte mais rápido numa emergência ainda era a cavalo.
Quando se tem algum recado ou mensagem que requer certa urgência e tem que atingir toda a comunidade não há melhor meio que as rádios comunicadoras locais. Todos possuem um aparelho de rádio em casa, mesmo que seja a pilhas e todos ficam diariamente ouvindo, pois sabem que diariamente há notícias de seu interesse.
As estórias que se conhecem são desde as mais sérias até as mais pitorescas. Em poucas horas se comunica o falecimento de uma pessoa da comunidade e se informa tudo a respeito do funeral, mobilizando todos. Uma festa na igrejinha local ou na comunidade vizinha não teria a mesma motivação não fosse pela divulgação na rádio local. Músicas com temas e linguagens próprias das etenias locais, principalmente no sul onde há várias raças que se organizaram em colônias, anunciam aniversários, casamentos e datas diversas.
Também há aquelas notícias curiosas e engraçadas como aquelas do tipo “ Comunicamos a todos que o compadre Juca tá com uma leitoa extraviada. Pesa mais ou menos uns 50 Kg, tem uma faixa branca na barriga e gosta de atacar as galinhas”.

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