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Carro a gás GNV e a gasogênio

Há alguns anos atrás o governo incentivou o uso de GNV para os veículos nacionais, com o objetivo de economizar gasolina e pelo fato de ser menos poluente. Concedia até facilidades para conversões em táxis. Mas com a mudança de governo na Bolívia, nosso principal fornecedor, tudo mudou e também foram instaladas muitas usinas a gás para fazer frente a um possível apagão elétrico.
O aumento do preço do metro cúbico do gás não tem incentivado as conversões, cujo investimento é alto e para viagens mais longas é um problema, pois quase não se encontram locais para reabastecer.
Há muitos anos atrás, durante a segunda guerra mundial, já se usavam carros a gás, mas eram umas verdadeiras locomotivas do asfalto e muito poluentes, inadequados para o momento atual. Andavam fazendo uma fumaceira por onde andavam, pois usavam uma tecnologia que convertia carvão em gás, eram os chamados carros a gasogênio.
Veja a figura abaixo. Tinha até co-piloto!
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Carros movidos a GNV, uma boa opção e menos poluição

Quando começou no Brasil o uso do gás natural como combustível para veículos, o governo promoveu alguns incentivos e muita campanha foi feita, porém o nosso principal fornecedor, a Bolívia, nos surpreendeu. O governo brasileiro deixou então de incentivar esse programa e concentrou os esforços nos programas de biodiesel e etanol.
Hoje mais de 70% dos veículos vendidos no Brasil são do tipo flex, usando gasolina e álcool, conforme a conveniência. Isso evita o problema de anos anteriores, quando se iniciaram os carros a álcool, que os proprietários ficaram no prejuízo, quando por problemas de safras e o preço do açúcar no exterior levou à falta do combustível aqui.
Esta semana está ocorrendo no Rio de Janeiro, pela primeira vez no Brasil, o 11.º Congresso Internacional de GNV. Nesta terça-feira
( 03.06.2008 ) o presidente da Associação Internacional de Veículos a Gás Natural (IANGV, na sigla em inglês), John Lyon, afirmou neste congresso que as estimativas são que até 2020 em torno de 80% da frota mundial de automóveis, equivalente a 65 milhões de veículos, serão movidos a gás natural veicular (GNV).

Ainda neste congresso o presidente da Bahiagás, Davidson de Magalhães Santos, estimou que o mercado de GNV deve ultrapassar o volume de consumo de 131 milhões de metros cúbicos por dia em 2012 e que a oferta de gás natural nos próximos anos deve ser mais do que suficiente para atender à crescente demanda local. Segundo Davidson, o gás representa hoje 9,2% da matriz energética brasileira, contra 0,3% em 1970.

Carros a gás. Uma solução que está virando problema

Em época de muita polêmica envolvendo assuntos como poluição e aquecimento global toda a indústria automobilística está voltada para combustíveis alternativos. As últimas feiras de automóveis editadas na Europa apresentaram uma avalanche de modelos com várias alternativas, com os carros elétricos e a células de hidrogênio em evidências.
Há tempos atrás, clandestinamente surgiram alguns carros movidos a gás em ruas no Brasil. Só que eram umas verdadeiras bombas, pois eram instalações amadoras, mal feitas e o gás utilizado era o mesmo de cozinha. Nenhuma segurança eles ofereciam.
Surgiu então a tecnologia dos carros a gás, com projetos e instalações adequadas, seguros, utilizando o gás natural veicular de petróleo, o chamado GNV. Gera mais economia e menos poluente. O governo incentivou o uso desse combustível, até dando facilidades de financiamentos e isenções de impostos, principalmente para frotas de táxis. Postos de abastecimentos se adaptaram para atender essa demanda em todos os lugares.
Com os acontecimentos recentes na Bolívia, seu uso ficou um tanto prejudicado, pois a conversão custa cara e não se tem tanta segurança quanto ao abastecimento no Brasil.
Acho que teremos que voltar aos tempos da segunda guerra mundial, quando existiam os carros movidos a gasogênio

O Xisto. Sua importância atual. A tecnologia brasileira Petrosix

Geologicamente, xisto é uma das principais rochas metamórficas de origem sedimentar, de textura foliácea e de lâminas muito delgadas. O termo mais exato para as rochas oleíferas seria “folhelhos”, os quais conforme possam produzir óleo mediante o emprego de solventes ou por destilação destrutiva (pirólise) são classificados respectivamente, em “folhelhos betuminosos” ou “folhelhos pirobetuminosos”. Os folhelhos são rochas resultantes da decomposição de matérias minerais e orgânicas no fundo de grandes lagos ou mares interiores. Agentes químicos e microorganismos transformam, ao longo de milhões de anos, a matéria orgânica em um complexo orgânico de composição indefinida, denominado querogênio (gerador de cera), que, quando convenientemente aquecido, produz um óleo semelhante ao petróleo.
Existem dois tipos de xisto, o betuminoso e o pirobetuminoso, cujas diferenças são as seguintes:
Betuminoso: a matéria orgânica (betume) disseminada em seu meio é quase fluida, sendo facilmente extraída;
Pirobetuminoso: a matéria orgânica (querogênio), que depois será transformada em betume, é sólida à temperatura ambiente.
Ao ser submetido a temperaturas elevadas, o xisto libera um óleo semelhante ao petróleo, água e gás, deixando um resíduo sólido contendo carbono. É considerado, mundialmente, a maior fonte em potencial de hidrocarbonetos. Gera uma infinidade de subprodutos e rejeitos que podem ser aproveitados pelos mais diversos segmentos industriais. É utilizado na produção de vidros, cimento e cerâmicas vermelhas, além de ser ótima matéria-prima na produção de argila expandida, empregada em concretos estruturais e isolantes termoacústicos.
No refino tradicional se obtém nafta, gasolina, óleo diesel, óleo combustível e gás liquefeito, correspondentes aos mesmos derivados do petróleo extraído dos poços. As características desses produtos dependem do tipo de matéria orgânica e inorgânica que possuem e do solo onde foram formados.
A exploração do xisto nos Estados Unidos já ocorria no final do século XVIII. Os produtos obtidos eram querosene e óleo. No Brasil, a primeira extração é datada de 1884, na Bahia. No ano de 1935, uma usina instalada em São Mateus do Sul (PR) chegou a produzir 318 litros de óleo de xisto por dia e teve início pela iniciativa de um senhor, aleijado de uma perna, que extraia para usar o óleo em lampiões.
Em 1949, o governo federal decidiu investigar a viabilidade econômica e as potencialidades do produto. A exploração do xisto pela Petrobras teve início em 1954, no município de Tremembé, Vale do Paraíba (SP). Três anos depois, em 1957, foram realizados os primeiros testes com o xisto da Formação Irati, extraído da jazida de São Mateus do Sul. Em 1959, a diretoria da Petrobras aprovou a construção de uma usina no município paranaense, que começou a operar em 1972. Com a entrada em operação do Módulo Industrial, em dezembro de 1991, concluiu-se a última etapa de consolidação da tecnologia Petrobras de extração do xisto.
A Unidade de Negócio da Industrialização do Xisto, da Petrobras, localizada em São Mateus do Sul, a 140 quilômetros de Curitiba, está dentro de uma das maiores reservas mundiais de xisto, a Formação Irati, que abrange os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás. Desta formação podem ser extraídos 700 milhões de barris de óleo, 9 milhões de toneladas de gás liquefeito (GLP), 25 bilhões de metros cúbicos de gás de xisto e 18 milhões de toneladas de enxofre.
As operações da Petrobras foram concentradas na jazida de São Mateus do Sul, onde o minério é encontrado em duas camadas: a camada superior de xisto com 6,4 metros de espessura e teor de óleo de 6,4%, e a camada inferior com 3,2 metros de espessura e teor de óleo de 9,1%.
A Petrobras possui a única tecnologia comprovada por mais de 30 anos de desenvolvimento e operação industrial, conhecida como Tecnologia Petrosix. A gama completa da Petrosix é um dos processos mais modernos em operação no mundo e ela pode ser utilizada para outros xistos pirobetuminosos.
A tecnologia desenvolvida pela Petrobras tem como principal característica a simplicidade operacional. O xisto minerado a céu aberto passa por um britador que o reduz a pedras de 6 a 70 milímetros. Esse material é levado a uma retorta para sofrer a pirólise sob uma temperatura de aproximadamente 500 graus centígrados. A ação do calor libera o conteúdo orgânico na forma de óleo e gás.
A viabilidade técnica do Petrosix foi comprovada com a entrada em operação da Usina Protótipo do Irati (UPI), em 1972; enquanto que o início da produção do Modulo Industrial em plena escala, em dezembro de 1991, marcou a consolidação da tecnologia.
O processo de retortagem corresponde ao tratamento térmico. A rocha é aquecida a altas temperaturas em atmosfera isenta de gás oxigênio. O betume e o querogênio se decompõem pela ação do calor, sendo que uma grande parte dela vaporiza da rocha-mãe na forma de hidrocarboneto gasoso (inclusive o gás hidrogênio). A matéria orgânica que permanece agregada é denominada carbono residual. Após o resfriamento, os hidrocarbonetos gasosos se condensam e constituem o óleo e a fração que não se condensa constitui os gases da pirólise: sulfídrico (H2S), carbônico (CO2), hidrogênio (H2) etc. Entre os produtos oriundos do xisto que a Petrobras gera, estão o óleo combustível, a nafta, gás combustível, gás liquefeito e enxofre e ainda subprodutos que podem ser utilizados nas indústrias de asfalto, cimenteira, agrícola e de cerâmica. O Parque Tecnológico da SIX é um dos maiores do mundo em plantas-piloto de grande porte. É composto por unidades criadas para suprir as demandas dos variados processos de refino e também laboratórios com equipamentos de última geração que dão suporte a todas as unidades do Parque Tecnológico.
O projeto também contribui com o meio ambiente. Por meio da utilização de uma tecnologia única, licenciada junto ao IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a Petrobras/SIX reaproveita pneus inservíveis no processamento do xisto, obtendo desse material gás, óleo e enxofre. Desde que a tecnologia foi implantada, em maio de 2001, a SIX promoveu a reciclagem de mais de 9 milhões de pneus. Essa é mais uma das formas que a empresa encontrou para contribuir com a melhoria da qualidade da vida urbana. O volume de pneus adicionado corresponde a 5% do volume total de xisto processado. A unidade de destilação da Petrosix também processa cargas petroquímicas para a produção de cortes para elaboração em gasolinas especiais de competição, em especial na Gasolina Podium Fórmula1, fornecida pela Petrobras, com exclusividade, para a equipe Williams de F1.
No mundo o maior produtor de xisto é os EUA, seguido pelo Brasil e a antiga União Soviética. Depois vem o Zaire, Canadá, Itália, China e os outros.

O apagão elétrico e o selo procel para equipamentos eletrodomésticos.

Todos querem o crescimento da economia brasileira. Isso gerará muitos empregos e boas oportunidades, com a valorização nos salários, principalmente os de maior especialização.
Mas para esse crescimento é necessário um fator muito importante chamado “energia”. O Brasil dispõem de boas fontes de energia, sendo a principal delas e uma das mais limpas do mundo as hidroelétricas. Dispomos também de grandes áreas e facilidade para produção de cana-de-açúcar e etanol. Também dispomos de petróleo e agora com as novas descobertas de reservas de gás na bacia de Tupy e de Santos, que em futuro não muito distante poderemos dispor. O Brasil também dispõem de muita área ensolarada, que anda muito mal explorada, para aproveitamento da energia solar. Dispomos também de boas áreas para exploração de energia eólica, que também não se explora a contento ainda. Sem falar da enorme orla marítima, que também pode ser explorada a energia das ondas do mar, a exemplo do que já acontece em alguns países europeus.
Mas só dispor disso tudo não resolve. É necessário atitude e planejamento do nosso governo, senão teremos problemas, como já tivemos no início do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando tivemos o famoso escândalo do apagão. O escândalo do apagão foi uma crise nacional, sem precedentes no Brasil, que afetou o fornecimento e distribuição de energia elétrica. Ocorreu nos dois últimos anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2001 e 2002. “Apagão” é um termo que designa interrupções ou falta de energia elétrica freqüentes, como Blecautes (do inglês blackout) de maior duração.
Mas como se sabe, toda crise traz algum progresso também. Aquela crise no setor elétrico fez aparecer uma nova conciência na população brasileira, a de economizar energia elétrica. As contas eram por faixas de consumo e quem não economizava pagava mais caro. Com isso todos passaram a tomar atitudes no seu dia a dia, como passar roupas por lotes maiores e assim economizar; lavar roupas em quantidades maiores; usar o chuveiro em menos tempo; trocar as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes ou lâmpadas frias e outros truques caseiros. O susto passou mas muita gente incorporou no seu dia a dia a conciência da economia e isso logo se propagou para todo o setor industrial. O próprio governo tomou algumas atitudes que vem dando bons resultados. Uma dessas boas atitudes foi forçar as indústrias de eletrodomésticos a produzirem equipamentos que consumam menos. Instituiu-se então o “Selo Procel”.
O Selo Procel de Economia de Energia foi criado em 1993 com o objetivo de incentivar a fabricação de equipamentos mais competitivos. Três anos depois, foi criado o Selo Procel/Inmetro de Desempenho para certificar exclusivamente equipamentos e produtos de iluminação. Ambos são hoje uma referência para os consumidores que associam os selos à garantia de eficiência e qualidade. O Selo Procel de Economia de Energia indica ao consumidor, no ato da compra, os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria. O objetivo é estimular a fabricação e a comercialização de produtos mais eficientes, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico e a redução de impactos ambientais.
Para equipamentos que consomem gás também foi criado um selo. É o “Selo Conpet” de eficiência energética (ou simplesmente Selo Conpet), em vigor desde agosto de 2005, que é destinado aos equipamentos domésticos de consumo de gás, que alcançaram os menores índices de consumo de combustível.
Além de se aumentar a geração de energia por várias fontes é necessário mesmo atitudes de economia, como já se vem fazendo há muitos anos com o chamado horário de verão, além de substituir equipamentos antigos por outros mais eficientes e outras atitudes, como implantação de aquecedores solares nas residências e uso mais racional no dia a dia.
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As reservas de gás natural e petróleo recém descobertas no Brasil.

Em novembro deste ano de 2007 a Petrobras anunciou a descoberta de uma grande reserva de petróleo. Uma estimativa de reservas recuperáveis em seu gigante campo de Tupi na camada pré-sal da Bacia de Santos, avaliando entre 5 e 8 bilhões de barris. Nos últimos 20 anos só perde para a descoberta de Kashagan, no Cazaquistão.
Em 06 de dezembro deste ano a Petrobras também informou a descoberta de mais gás e petróleo leve no campo de Camarupim, na Bacia do Espírito Santo. O poço pioneiro perfurado em lâmina d”água de 708 metros, descobriu gás natural a uma profundidade de 3.417 metros, O mesmo poço descobriu presença de petróleo leve a uma profundidade de 2.416 metros.
Estas descobertas todas quando começarem a ser exploradas colocarão o Brasil entre os maiores produtores de pretróleo do mundo.
Isso até rendeu comentários enciumados do nosso vizinho Hugo Chaves, quando chamou o Lula de “ Magnata do Petróleo”.
Aí estão as explicações para a grande cobiça dos EUA e europeus na nossa região amazônica. A proximidade com a Venezuela sugere a presença de petróleo nesta região também e ainda não exploradas, além da água que será o produto mais procurado nos próximos anos.