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Trânsito nas grandes cidades

O uso de automóveis nos grande centros está se tornando difícil e proibitivo. O transporte coletivo ineficiente, desconfortável e caro faz o uso de bicicletas e motocicletas se intensificarem.
O transito nas grandes cidade tem sido um caos. Até alguns anos atrás se falava em trânsito caótico nos horários de picos; pela manhã, quando os horários de início das aulas coincidiam com a dos trabalhadores das indústrias e comércio; no meio dia com a saída das aulas e a hora do almoço dos trabalhadores e à tarde, quando coincide a hora de saída dos trabalhos com horários de escolas noturnas.
Muitas medidas os administradores tomaram, mas o problema cada vez se agrava mais. Algumas cidades estabeleceram horários diferenciados para as escolas, as indústrias e o comércio. Avenidas foram modificadas, estabelecendo sentidos únicos e alargamentos, onde foi possível. Passaram a cobrar para se estacionar os veículos em espaços públicos. Algumas cidades estabeleceram o rodízio por placas dos veículos, como é o caso de São Paulo, aí também para se buscar diminuir o alto índice de poluição. Melhorias no setor de transporte coletivo é reclamado em todas as cidades.
Outro motivo que agravou muito esse problema foi a facilidade para se adquirir um automóvel hoje em dia. Criaram-se os veículos populares, com cilindragem 1.0, cujo principal argumento era justamente o de ser um veículo urbano, ágil, fácil para estacionar e de menos consumo, porém não pensaram no problema futuro que estavam criando, tudo pela ganância dos lucros.
Um transporte coletivo mais eficiente e a restrição ao uso de veículos num anel central são as soluções mais comentadas no momento. Certas metrópoles já adotam o pedágio para automóveis no anel central, como Londres.
Nem todas as grandes cidades têm um transporte coletivo efetivo. Torna-se caro e difícil qualquer adaptação das avenidas para uso dos transportes coletivos, que tornam-se lentos e pouco eficientes. O sistema de metrô sob superfície é caríssimo e impeditivo para a maioria dos municípios. Já houve quem cogitasse num metrô aéreo, mas outras dificuldades surgem para sua implantação, como o alto custo e as edificações urbanas que impediria tal implantação. Em Curitiba, capital do Estado do Paraná, há alguns anos foi criado um sistema, chamado de metrô de superfície ou metrô de pneus, onde ônibus articulados e bi-articulados circulam em avenidas só para eles, com estações em tubos de acrílicos, onde ficam os cobradores, com a parada dos ônibus automática em todas as estações e o embarque e desembarque feitos por portas distintas, para facilitar o processo e diminuir o tempo. Funcionou por alguns anos, mas hoje já se encontra saturado e não muito eficiente. Esta implantação foi no ano de 1991 e envolto até hoje em muita controvérsia, pois discute-se até hoje a corrupção promovida pelo prefeito da época, que dizem que ele patenteou o projeto pelo seu escritório de arquitetura e cobrava para cada estação instalada. Recentemente um vereador do município discute o alto custo de manutenção destas estações, que encarecem os custos das passagens.
Mas nem todas as pessoas podem comprar um automóvel e os custos altos dos combustíveis, bem como essas dificuldades todas para se locomover e estacionar nos centros destas grandes cidades, está fazendo com que alguns lugares também pensem na locomoção por bicicletas e motocicletas. Mas para isso também tem que se criar as condições, como vias próprias, principalmente para as bicicletas e lugares adequados e seguros para se estacionar. Já ouvi esses dias que numa cidade da Europa isso foi implantado, com uma espécie de locação de bicicletas, ficando junto a terminais de ônibus e gerenciado pela iniciativa privada.
O uso de motocicletas aumentou muito nos últimos anos, pois mesmo com o transporte coletivo funcionando de maneira adequada ele ainda se torna caro, lento e não atende bem a todos os deslocamentos, quando se tem que mudar várias vezes de coletivo e fazer muitas vezes até o dobro de distância para o mesmo deslocamento.
Afim de economizar e fugir do transporte público, os brasileiros estão adquirindo motocicletas, que vêm se consolidando como os veículos mais populares do País.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Paulo Shuiti Takaeuchi, a facilidade na aquisição também contribui muito para o quadro. Afirmam que nos últimos oito anos, a frota existente na região Norte do país cresceu 590%; na região Nordeste, 372%; na região Centro-Oeste, 280,3%; e na região Sudeste, 191%. Além disso, a produção destes veículos atingiu 141.208 motocicletas no mês passado, 19,8% a mais do que em junho de 2006.
Dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) apontam que os brasileiros vêm financiando motocicletas para se livrar do transporte público. No primeiro trimestre deste ano, a modalidade respondeu por 51% das vendas, contra 31% dos consórcios e 18% dos pagamentos à vista.
Conforme divulgou o Diário do Comércio, periódico da Associação Comercial de São Paulo, hoje já é possível adquirir uma motocicleta por meio de financiamentos pagando cerca de R$ 5,00 por dia, o que dá pouco mais do que duas passagens de ônibus em São Paulo.

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